Entrevistas

Entrevista a Frederico Lourenço

Tradução da Bíblia do Grego para Português

ENTREVISTA A FREDERICO LOURENÇO

Estivemos à conversa com Frederico Lourenço, escritor premiado e autor da primeira tradução integral da Bíblia Grega para português. Descubra tudo o que ele nos contou.
É o autor da primeira tradução integral para português da chamada Bíblia Grega.
Quando e onde nasceu a ideia para realizar este projeto?

A ideia nasceu quando percebi que a Septuaginta (Antigo Testamento grego) nunca tinha sido traduzida para português. Entendi que tinha a responsabilidade de fazer esse trabalho.

Também achei importante dar início àquilo que espero ser uma nova fase na leitura da Bíblia em português, a partir de uma plataforma crítico-histórica e académica.
Acredita que tirar a Bíblia do domínio teológico, ou seja, mostrar o texto apenas segundo o seu contexto história e linguístico sem finalidade religiosa, atrai mais leitores (crentes e não crentes)? 
Não me preocupa a questão de atrair leitores. A minha responsabilidade é realizar este trabalho da melhor forma possível, com o máximo rigor académico.

A propósito do seu trabalho, um dos nossos leitores comentou: «Uma divina tradução humana. O 13.° mandamento seria, neste caso, “lerás a Bíblia tal como eu a disse”». Foi essa a sua intenção com este trabalho?

A minha intenção foi de oferecer uma tradução da Bíblia que explique às pessoas as questões crítico-históricas e linguísticas que o texto da Bíblia levanta.

Segundo os tradutores teólogos, a tradução literal da Bíblia sem finalidade religiosa tira-lhe sentido. Qual é a sua opinião? 

A minha opinião é que a tradução teologicamente carregada da Bíblia acrescenta ao texto um sentido que ele não tem. Confunde a interpretação teológica posterior à escrita do texto com a materialidade histórica real do texto. Não se deve confundir a nuvem com Juno.
Sabemos que, graças a si, muitas pessoas sentem que estão mais próximos do texto original da Bíblia. Alguns leitores vão ainda mais longe e dizem que sentem, como consequência do seu bom trabalho, um enorme prazer em ser português. Como é que isso o faz sentir?
Fico naturalmente muito feliz com o facto de o meu trabalho despertar o gosto das pessoas pela compreensão da problemática da Bíblia. Penso que isso é muito importante num mundo em que a religião está a ter um papel por vezes obscurantista.

 

Este trabalho épico vai ocupá-lo, se tudo correr como previsto, até 2020.
É um investimento muito grande tanto a nível intelectual como espiritual. Fá-lo sentir-se mais próximo de Deus? 

O trabalho em si faz-me pensar em Deus, como é evidente, mas eu já pensava em Deus todos os dias antes mesmo de ter empreendido esta tarefa. Não sigo nenhuma religião, mas acredito no Divino.

Traduzir toda a Bíblia a partir do grego antigo: cansa ou dá energia?

Dá uma extraordinária energia, no sentido em que se trata de algo que vale mesmo a pena.

Antes traduziu a Ilíada e a Odisseia, de Homero e, agora, a Bíblia (que lhe valeu o Prémio Pessoa 2016). O que se segue depois de 2020?

Tenho vários projetos possíveis, sempre na área do Grego, que é a minha grande paixão. Interessa-me a literatura cristã em grego dos primórdios do cristianismo e interessa-me a literatura dos períodos anteriores. Nunca me faltará que fazer.

 

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